Se um médico de 150 anos atrás fosse transportado para uma sala de cirurgia de hoje, ele ficaria sem saber o que fazer diante dos novos instrumentos e técnicas. Por outro lado, se um professor daquele tempo chegasse a uma de nossas salas de aula, se sairia muito bem.Hoje, a era digital e interativa está presente, mas o ensino persiste com o paradigma cartesiano-positivista de divisão do conhecimento em disciplinas. De acordo com a doutora Rita Melissa Lepre, psicóloga docente do departamento de educação da UNESP (câmpus de Bauru), a multidisciplinaridade é um paradoxo porque ainda não estamos preparados para lidar com ela. "O que se vê são muitas escolas trabalhando com o tradicional, aula expositiva, quadro negro, giz e carteiras em fila".Nesse contexto, a educação continua a mesma, enquanto o indivíduo mudou sem o acompanhamento de uma instituição de ensino, o que produz diversos déficits de formação. O século 20 foi marcado por uma aproximação das crianças às tecnologias da informação, que muitas vezes possuem conteúdos desapropriados para a faixa etária infantil.Nesse ponto, o ensino é importante para a construção da consciência e da personalidade do indivíduo, porque é onde a criança tem maior interação social com a cultura, com o momento histórico e com as outras pessoas. Melissa classifica a situação das escolas como um reflexo do momento atual, uma caoticidade, embora a educação deva ser um dos pólos de evolução. "O pós-modernismo trouxe a falta de referenciais concretos. A situação da escola é a situação da sociedade - crise de valores, pouco cuidado com o outro e a ausência de cidadania. Por isso, o grande objetivo da educação deve ser o exercício de uma cidadania que possibilite transformação social", afirma a psicóloga.
Em meio às "escolas que são gaiolas", o desafio de ser "escolas que são asas".
Marina Ricciardi
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