Historicamente, no discurso mundial sempre se falou em trocar as florestas Brasileiras pelo pagamento de dívidas ou proteção internacional. Um fato marcante foi em 1989 quando o então presidente José Sarney foi convidado para uma reunião do G7 que discutiria o tema. Em 1990 o Congresso de Ecologistas alemães propôs que “só a internacionalização pode salvar a Amazônia”. Daí então, concordo com a citação e peço permissão para citar Padre Antônio Vieira: ELES NÃO QUEREM O NOSSO BEM, ELES SÓ QUEREM OS NOSSOS BENS.Alguns dizem que não é preciso internacionalizar a Amazônia, pois ela já está internacionalizada pela presença de capital estrangeiro na região. Embora os militares sustentassem a idéia contra a internacionalização, o período em que mais se entrou capital externo na floresta foi a Ditadura Militar.
Não existe uma exploração ostensiva e descarada, mas verdade é que quem se interessa pelo que ali está dali retira sem que tenhamos um controle efetivo. Em algumas áreas não se tem presença física de governo nem ocupação populacional. Resgatando fatos: a interiorização do povo brasileiro, saindo do litoral para o centro do país foi estimulada para uma defesa e manutenção do território, que culminou com a criação de Brasília, entre outras motivações. Mas como realizar o mesmo na Amazônia? A ocupação “civilizatória” da região com construção de metrópoles aniquilaria a floresta e as culturas indígenas. Houve tentativas de envio de sem-terras como uma desculpa de reforma agrária. Devastar a Amazônia pela perspectiva de agricultura e pecuária também seria um crime, além de desmatamento, encontrar-se-ia solos arenosos.A vulnerabilidade da situação é imensa. O fato de existirem reservas indígenas com certa autonomia de preservação e estatuto próprio abre a possibilidade de discussão internacional no que diz respeito à soberania limitada do governo brasileiro. A presença de fortes de proteção à fronteira freqüentemente entram em conflitos com comunidades indígenas.As tentativas de proteção à Amazônia são bem intencionadas, mas nada são frente ao interesse do mundo todo.
Eu me pergunto se quando as pressões se intensificarem quais as linhas gerais que o próximo governo seguirá em nome de negociações políticas. Até que ponto as relações estáveis com o Brasil são importantes para cada país no cenário internacional. Não duvido que a importância seja grande, principalmente como país chave na América Latina.Qual vai ser a postura dos negociantes? Será que tudo será resolvido amigavelmente, fazendo concessões até que percamos a Amazônia sem percebermos, ou será que o governo e a sociedade sustentarão a defesa Amazônica até a última instância, mesmo que para isso seja preciso enfrentar uma guerra.
Como deveria ser essa guerra. Do nosso ponto de vista não deveríamos pensar em defesas que não são novas. Os militares muitas vezes pensam nas formas tradicionais, como por exemplo, instalação de fortes. Mas, para defender a Amazônia precisa-se do homem Amazônico, que fará um grande diferencial em estratégias de sobrevivência na selva e táticas de guerrilha, pois contra o inimigo, tecnologia é determinante não é determinação. E quem é o inimigo? Atualmente o EUA é o único país que tem condições militares de ocupar a Amazônia. E então, ocupação é diferente de guerra, pois todas as guerras em que não se angariou apoio popular observaram-se derrotas. O exemplo mais famoso disso é o Vietnã.O cerco estaria se fechando? Há milhares de ONGs e empresas estrangeiras atuando no Brasil. Há várias bases americanas na América do Sul em pontos estratégicos tais como Venezuela e Colômbia. Enquanto isso, a ONU teoricamente gere negociações amigáveis, mas na prática não devemos nos iludir, ela reflete a posição dos mais poderosos.Se a guerra vier de fato a ocorrer, poderemos considerar um dos auges da alienação humana em nome de poder, pois pelo que se briga são exatamente as riquezas naturais que estão em questão devido à grande fragilidade do meio ambiente e do planeta Terra, e a guerra viria destruir o que se quer ter.
Um dos maiores desafios geográficos do futuro é a Amazônia. Não há área no mundo internacionalizada, com muita propriedade Cristóvão Buarque, em debate nos Estados Unidos respondeu ao questionamento sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem que o argüiu introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. O ex-governador do Distrito Federal respodeu, pensando como humanista, que seria a favor da internacionalização da Amazônia, assim como da internacionalização do petróleo, do capital financeiro dos países ricos, dos grandes museus do mundo, de todos os arsenais nucleares dos EUA e das crianças famintas do planeta.Como brasileiro, respondeu ser contra.
A questão é muito complexa para a deixarmos de lado. A mídia tem papel fundamental na situação: influenciar é poder, e portanto, mídia é poder. Falar em Democracia no Brasil é falar em democratização dos meios. Devemos pensar uma recriação de projeto Brasil que será desencadeada por opiniões populares, organizações e governo caminhando de mão dadas, que trate a Amazônia não como uma redoma. Se pararmos para pensar, pode ser que se encontre aí um ponto fundamental para alterações no curso da história. Ou será que disfarçadamente a Amazônia já está internacionalizada e será cada vez mais?
Marina Ricciardi
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